sábado, 15 de outubro de 2011

Tradução: "Debaixo do Parasol: O Crescente Mundo da Moda Cute"

Não fui eu quem traduziu esse artigo. O original em inglês é do blog Parfait Doll, e a tradução foi feita pela Kin-chan. No entanto, gostei tanto do texto e o achei tão bonito que pedi permissão para colocá-lo aqui.

Espero que gostem, apesar de extenso ^^


♣  ♠  ♥  ♦



 Debaixo dos Parasóis: o Crescente Mundo da Moda Cute ~



A moda lolita é conhecida não apenas pelo seu aspecto único, mas também pelo espectro singular de estilos que se enquadram dentro do lolita: estilos que vão do classic lolita em tons sutis de marrom e bordeaux, ao sweet rosa e açucarado e ao mundo maluco do punk lolita. As várias re-interpretações do estilo lolita implicavam que embora a moda fosse estruturada, havia ‘algo para todos os gostos’, contanto, é claro, que você pudesse escolher um sabor (ou dois), e segundo ordenavam os grandes deuses do lolita, mantivesse esses sabores separados. Por quê? Nós não temos muita certeza. Sendo pessoas bastante mente-aberta, lolitas em geral amam rótulos. E nomes. E subestilos. E sub-subestilos. (Alguém lembra do termo ‘bitter-sweet lolita?’ Era o subestilo do subestilo do subestilo!) Suponho que seja simplesmente parte da nossa natureza perfeccionista em ação.

Recentemente, porém, tudo isso tem começado a mudar. Numa espécie de paradoxo do ovo e da galinha, a moda lolita tem finalmente saído para brincar com suas irmãs estilísticas. É difícil dizer se isso começou com estilos de fora ou com misturas entre os subestilos lolita – se foi o fairy lolita ou o sweet-classic lolita que veio primeiro, por exemplo. Eu gosto de pensar que no Japão, as meninas simplesmente escolhem quaisquer coisas que elas amem e achem adoráveis e joguem tudo num outfit, sem pensar muito num rótulo – embora talvez eu esteja idealizando as coisas. Se você está apaixonada por cintos punks de tachas e a mais nova criação em cores pastéis da Angelic Pretty, por exemplo, e você tem uma idéia maluca para um outfit em que os dois funcionem juntos, por que não tentar? Fazer combinações estranhas e juntar temas e coisas contrastantes num conceito só é a verdadeira receita para a moda pioneira.

Mas e ‘as regras’? E as pessoas conservadoras que podem olhar para seu coordinate com nojo e dizer “Bom, você pode usar o que quiser, apenas saiba que ‘não é lolita’.”? Recentemente eu tive uma conversa com um leitor que sentiu a necessidade de me dizer: "Boa tentativa no artigo ________, querida, mas sinceramente, você entendeu tudo errado. Quando se trata do estilo x, você simplesmente está ‘fazendo tudo errado’". Bom…

O Motivo Pelo Qual Não Existe Essa de ‘Fazer Errado’

Eu cresci durante uma ‘era lolita’ (2006! Me sinto velha…) altamente influenciada pela noção do ‘fazer errado’. Quando eu era uma lolita jovem, as comunidades lolitas em geral haviam instituído em mim o medo puritano da versão lolita do que se podia ser chamado de ‘mercado de ações’ da moda, conhecido simplesmente naquela época como ‘lolita_fucks’. Meninas eram instruídas com essa comunidade, voltada a criticar coordinates malfeitos (para aqueles que não conhecem a comunidade, pensem num crossover entre a milícia que toma conta do seu bairro e uma espécie de polícia da moda), assim como a instruí-las o Lolita Handbook e uma série de artigos instrutivos. A moda lolita era algo para ser estudado, aperfeiçoado, e um bom outfit seguidor das regras e aprovado pela comunidade era sua ‘formatura’.

A idéia por traz desse método era manter a pureza do estilo – em geral as pessoas tinham medo de que a moda lolita, uma flor delicada, era uma espécie em extinção que precisava ser preservada, particularmente enquanto ela se expandia para o Ocidente. Parece um medo estranho agora que o lolita começou a se expandir e se misturar com outros estilos relacionados. Do que a gente tinha tanto medo, afinal? Dos poucos vestidos de explosão anime trevosa que aparecem no Hot Topic uma vez a cada lua vermelha? De que o lolita pudesse se tornar ‘ocidentalizado’ demais se deixássemos nossas meias escorregarem alguns centímetros?  Lil Mama, Katy Perry, e Lady Gaga todas experimentaram o estilo e o mundo não acabou. A moda lolita, muito mais resistente do que nós imaginamos que ela fosse, nunca morreu. Na verdade, eu diria até que as viagens, as expansões e os encontros com outros estilos não têm enfraquecido a moda, e sim tornado-a mais forte. Lolitas estrangeiras, sejam elas do Chile, Suécia, Califórnia ou Toronto, acabaram por dar ao estilo mais vida do que ele teria se nunca tivesse saído Japão. Há hoje mais amantes do velho estilo lolita, e lolita tem encontrado um amor ainda mais forte em suas nova discípulas, que se encantam tanto com as meia-calças de gatinhos da SPANK! quanto com as bolsas de tapete antigo da Grimoire.

Moda é uma coisa interpretativa. Uma moda é baseada num conceito que cada indivíduo forma e interpreta em algo visual. A moda lolita, por exemplo, é baseada no conceito de uma boneca delicada com características de princesa ou donzela, com tendências fantasiosas. Mori-girl é baseado no conceito de uma donzela morando confortavelmente na floresta, numa interpretação divertida e antique do país das maravilhas. Pop-kei é baseado no conceito de LSD (Brincadeira, brincadeira). Moda é um processo criativo, e como qualquer coisa criativa, não pode ser padronizada de verdade. Podemos instituir limites. Se quisermos, lolita pode se tornar um livro de colorir – em que é só você colocar as cores certas nos lugares indicados. Mas eu acho que a moda lolita, e nós que a amamos, não precisamos nos contentar com essa espécie teto de vidro auto-instituído. Vamos confiar na resiliencia da moda, em sua habilidade de crescer e se adaptar e manter a mesma alma. Mas vamos confiar em nós mesmas também – confiar na nossa criatividade e ter fé para realmente nos arriscarmos na moda.

Eis aqui uma verdade sobre moda (e blogs, e a vida, e todas as coisas que você vai precisar fazer)… Você precisa ser muito macho para fazer algo realmente surpreendente em moda. Eu gostaria de poder ser poética e princesesca e escrever isso de outra forma, mas não há outro jeito de se dizer isso. A Julien do inoveryourhead.net disse isso da melhor forma possível:

Suas escolhas estilísticas, suas palavras, suas decisões– todas precisam de mais CORAGEM.
Você se preocupa com o que as pessoas acham de você porque não vão gostar de você ou vão falar de você pelas suas costas. Mas na realidade, elas vão te respeitar pela sua coragem e se adaptar sem problema algum.
Você vai duvidar de você mesma no último instante, achar talvez que você é maluca, mas às vezes você precisa ser inconveniente e errar. Fazer isso te dará forças para ir mais longe da próxima vez.
Às vezes, gosto de pensar em todas as pessoas que tomaram a decisão certa. Eles quase chegaram ao topo e então apenas... Pararam. Esses são os quase-Steve-Jobs, as quase-Vivienne-Westwoods, e os quase-MLKs. Eles todos tinham ótimas razões para fazer o que fizeram. Há milhões deles, e você não sabe o nome de nenhum.
Onde você está agora? Qual é o pior que pode acontecer? É mesmo provável que isso aconteça? E qual é o melhor que pode acontecer?
De toda forma, todos estaremos mortos daqui a pouco. Vale a pena tentar algo divertido enquanto isso.
No pior dos casos, você vai rir disso depois. No melhor dos casos... Bom, você sabe.

Mantendo esse mesmo tópico, aqui está um pouco mais de incentivo vindo do post 27 Razões pelas Quais Seu Blog Não Merece Existir do Evbogue.com (sobre blogs, mas ainda aplicável à moda nesse sentido):

Adivinha o quê, existem mais de 1,971 milhões de pessoas na internet.
Dentre eles, alguém vai odiar o que você está dizendo. Você vai receber muitos emails dizendo “POR QUE você faria aquela coisa incrível que eu nunca teria coragem de fazer?” [ ... ] Em vez disso, você está tentando fazer todas as 1,971 milhões de pessoas na internet (incluindo a sua mãe) felizes, não está?

Sempre que me pego pensando em coisas como ‘mas o que as pessoas vão pensar?!’, eu penso nesse post. Ao invés de fazer algo incrível, ou algo que você sente que faz sentido, ou que te faz feliz, você está tentando agradar ao mundo todo (basicamente as 1,971+ milhões de pessoas na internet mais a sua mãe para completar). E do nada a idéia de ficar meio que no muro só fazendo o que é ‘seguro’ me parece ridícula. É aí que eu tenho coragem de vestir umas 4 anáguas arco-íris, plataformas de 4 polegadas e completar o look com uma miniatura de carrousel na cabeça.

E sim, algumas pessoas podem não gostar. Há certos estilos do qual eu não sou tão fã. Não existe ninguém que gosta de tudo. Você não precisa gostar de tudo. Mas como a moda é na verdade um processo artístico, e a arte é completamente subjetiva, não existe certo e errado.

Não me entenda mal. Não estou aqui para discutir se devemos ou não usar anáguas, ou porque precisamos abolir rendas de plástico. Não estamos falando de cosplays malfeitos que deram errado. Estamos falando de liberdade – e evolução – para experimentar com a moda. Liberdade para se arriscar e, sendo assim, talvez criar algo novo e inspirador. Então aqui está o seu dever de casa: finge que você não sabe de nada sobre rótulos e estilos e subestilos. Tire sua inspiração e recursos e roupas e acessórios de absolutamente todo e qualquer lugar: da floresta, de desenhos animados dos anos 80, ou de máquinas de pegar bichinhos de pelúcia, ou do seu artista vis-kei preferido, ou de qualquer lugar em que você ache algo que te toca de alguma forma. Misture bem e veja que novos sabores surgem.

Para todas vocês meninas (e meninos) prestes a vestir seus tea-parties, ou Doc Martens, ou hi-tops rosa neon, saiam por essa porta e mostrem ao mundo o que significa ser parte do movimento street style.


♣  ♠  ♥  ♦

Espero que tenham gostado do texto quanto tanto eu! Comecei querendo usar lolita, mas o mundo da moda japonesa me parece tão vasto e interessante que sinto que não conseguirei parar nele. Quero fariry kei, otome, mori girl, gyaru, lolita... Acho que esse texto mostra bem, de certa forma, o meu desejo de criar. Não sei, achei-o simplesmente inspirador.

Beijos de quinta-feira! (um dia ainda explico o que quero dizer com isso XD) ♥

4 comentários:

  1. Já tinha lido o original, mas foi bom reler e relembrar. Certas coisas merecem ser lidas e relidas até serem absorvidas. :)

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  2. Concordo contigo, Valentine ^^

    Legal é que nada que eu li no artigo foi exatamente novidade. Quem o escreveu apenas descreveu perfeitamente algumas coisas que penso, acrescentando outras sobre as quais eu nunca tinha parado para pensar.

    Gosto muito de reler esse texto.

    Beijos floridos! ♥

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  3. Que texto maravilhoso <3 Eu também comecei só querendo lolita, mas vi o tanto de opções que tinha e hoje não paro num estilo só. Isso já me fez ter muitas crises de personalidade, no sentido de "eu não me decido!!11!1!", mas hoje estou mais desencanada e acho que esse post fala mais ou menos do que eu sinto.

    Coloquei referência a ele num texto no meu blog, importa-se? >_<

    Beijos ~

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    Respostas
    1. Mii, ODEIO quando só vejo comentários quando estão velhos! T_T

      Não, não me importo! Peço desculpas pela demora em responder...

      Aliás, também já fui bem encanada quanto a isso de não me decidir XD e atualmente estou mais desencanada também \o/ palmas para nós!

      Abraços atrasados!

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